Como lidar com a perda de uma pessoa querida
- Gilberta Kis

- 17 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de set. de 2025

Se você chegou até aqui, talvez esteja no meio de uma dor que não cabe em palavras. Talvez tenha perdido alguém que amava e, desde então, o tempo tenha ficado estranho, ora lento demais, ora rápido demais. Há dias em que o mundo parece continuar, como se nada tivesse acontecido, e isso dói. Em outros, tudo ao redor lembra quem se foi, e isso também dói.
O luto é esse território confuso onde a ausência é presença o tempo todo. Onde a saudade aperta no corpo, e as memórias, mesmo as mais bonitas, quase sempre machucam. Não existe jeito certo de atravessar a perda de uma pessoa querida. Cada um sente de um jeito. Cada relação de afeto deixa uma marca única.
Talvez você chore todos os dias. Talvez não consiga chorar nada. Talvez sinta raiva, culpa ou até um alívio que vem acompanhado de estranhamento. Tudo isso faz parte. Você não precisa se forçar a sentir outra coisa que não seja o que está sentindo agora.
Com o tempo, a dor muda de lugar. Não porque a falta desaparece, mas porque você aprende a conviver com o amor que ficou. É como se, aos poucos, a ausência deixasse de ser um buraco que engole tudo para se tornar um espaço que também guarda memórias boas.
E não, isso não significa esquecer. Significa lembrar sem se perder. Significa carregar quem foi importante de um jeito que caiba no seu dia, sem que todo dia seja só sobre isso.
Algumas coisas podem ajudar a enfrentar o luto: cuidar do corpo mesmo quando a vontade é ficar parado; falar sobre a perda com quem te escuta de verdade; criar rituais que mantenham viva a história dessa pessoa. Às vezes, escrever uma carta, visitar um lugar especial ou simplesmente olhar para uma foto e conversar com ela já é um jeito de manter o vínculo.
O processo de luto não tem prazo. Não existe “hora de parar de sentir”. O que existe é um momento, que você vai reconhecer, em que a dor começa a dividir espaço com outras coisas. E, quando isso acontecer, saiba: você não está traindo a memória de quem se foi. Está apenas aprendendo a viver de novo.
E talvez você tenha reparado na imagem que acompanha esse texto: um vaso de vidro guardando cacos azuis.
Gosto dela para simbolizar o luto. Uma coisa muito bonita na sua vida se quebrou, levando as expectativas, as possibilidades e até os planos feitos. O trabalho do luto não é o de colar partes do que se quebrou, isso é impossível. Mas podemos juntar os cacos (memórias, histórias, ensinamentos…) e fazer disso algo bonito, colocar em outro lugar e criar um memorial, que pode ser acessado sempre que a saudade bater.
Ele não esconde a quebra, não finge que não houve ruptura. Mas, mesmo assim, existe ali uma forma nova, uma possibilidade de guardar os pedaços sem precisar jogá-los fora.
O luto é um pouco isso: aprender a viver com o que se quebrou. Não se trata de esquecer, mas de encontrar um novo jeito de seguir levando algo que mudou de forma.
O amor não acaba com a morte. Ele só encontra um novo lugar para morar.
Um espaço de escuta
Se você sente que o luto está pesado demais para você, se você não consegue falar sobre a perda com as pessoas ao seu redor, se você sente que que a vida perdeu o sentido, se está difícil fazer tarefas do dia-a-dia, procure um espaço onde possa falar sobre o que está vivendo. A terapia não apaga a falta, mas pode ajudar a encontrar caminhos para viver com ela.





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